Francisco de Lacerda (1860–1931), conhecido como O Maestro, foi o compositor açoriano mais célebre do seu tempo. Natural de Calheta, São Jorge, dedicou a vida à música erudita e deixou uma obra que ligou a ilha às correntes artísticas europeias.

Formação

Filho de um músico militar, mostrou talento precoce. Foi o primeiro açoriano a diplomar-se no Conservatório Nacional de Lisboa, onde estudou com mestres da geração romântica portuguesa. Mais tarde aperfeiçoou-se em Paris e Berlim, absorvendo influências da música europeia do final do século XIX.

Obra e carreira

Compôs óperas, sinfonias, música de câmara e canções. A sua ópera As Vinhas da Ira (1926), com libreto de Teixeira de Pascoaes, é uma das obras de referência do repertório açoriano. Dirigiu orquestras, ensinou e promoveu concertos que levaram a música clássica a públicos além de Lisboa.

Embora tenha vivido grande parte da carreira na capital e no estrangeiro, Lacerda manteve ligação a São Jorge e aos Açores — a ilha que o viu nascer orgulha-se de o ter dado à cultura portuguesa.

Legado

O seu nome é lembrado em Calheta e no arquipélago como símbolo de que uma comunidade insular pode produzir arte de dimensão internacional. Festivais, escolas de música e gravações contemporâneas revisitam a sua obra, mantendo vivo o legado do Maestro jorgense.